segunda-feira, 31 de março de 2014

Visando o fim.

De que adianta 
Dizer rima 
E dança 
Se de fato palavras 
Verdadeiras não são?
De que adianta 
Um sorriso que encanta 
Se o mesmo não encontra
Para existência, razão?
De que adianta
A alma que pranta
Se nem um suspiro 
Dá o coração?
De que adianta 
Essa vida barroca 
Se da tua boca
Não consigo um perdão?
De que adianta
Um plebe sinal
Se esperando o plural 
Resto só no final?

sexta-feira, 7 de março de 2014

Ta chovendo.

Oi.
Cê ta bem? 
Faz tempo que a gente não se fala né? Cê tem que ver como eu to agora. To estranha, velha, chata. Pelo visto vou demorar mais que você pra aprender a conviver com minhas manias, e olha que são muitas. Quando você tava aqui eu não parava pra prestar atenção nelas. Mas agora eu presto. E percebi que é mais difícil lidar comigo do que eu imaginava. Eu também descobri que tenho medo de chuva. Já ouviu o barulho da chuva batendo no telhado? Dá muito medo, medo quase nulo quando você tava perto. Mas o tempo mudou, você não ta aqui. E ta chovendo. Ta chovendo forte e eu to com medo. E to dizendo isso pra ver se você sente pena e vem me fazer companhia. Eu não sinto sua falta, não mesmo. Sinto falta de não ter medo de chuva. Sinto falta de não ter que conviver comigo mesma. Sinto falta de ter alguém pra lidar com minhas neuras, minhas manias. Agora deu pra trovejar. Vem logo. To implorando por alguém que não seja eu. Não ri, mas toda vez que chove eu imagino que o mundo ta acabando. E eu fico com medo. Você ta rindo, não ri. Mas eu tenho razão pra ter medo. É água caindo do céu. Você consegue fazer água cair do céu? Eu não consigo. Ninguém consegue. É maior que eu. É maior que a gente. Por isso me assusto tanto. Essa água pode engolir a gente. Pode engolir você. Imagina se ela te engole? O que eu faço? Minha asma ta atacando agora só de pensar em você se afogando na chuva que não acaba. Respira. Respira por mim. E não para. Não para de respirar porque acho que meu pulmão tem uma ligação não recíproca com o teu. E se ele parar, eu paro. E não to dizendo isso porque não quero parar, nem ligo pra isso na verdade. Só não quero que você pare. Quero que você continue aqui. Ou até aí. Mas que continue. Não dá pra imaginar um mundo em que só exista eu. Se não tiver você, não é mundo. Seria um planetinha qualquer, essa tal de Terra, se não fosse por você. Se bobear, a chuva nem existiria se não fosse por você. De que serviria a chuva se não fosse pra sentir saudade? Eu comecei escrevendo isso pra parar de pensar na chuva que ta caindo. Mas ela continua. Só pra mostrar quem manda. E como eu já disse, não sinto sua falta, eu só realmente tenho muito muito medo de chuva.

A história do poema que possuía mais palavras no título que no próprio poema:

Fim.

Maré baixa.

Me tomou por inteiro
Me afogou
Me engoliu
Me cegou
E quando foi embora,
Me levou
Só acabou quando acabei.

Cio.

Triste estio
Céu vazio
Corpo esguio
Café frio
Ar sombrio
Sozinho, rio.

Amo.

Eu amo as ruguinhas no seu olho quando você ri. Eu amo quando você tenta cantar em inglês. Eu amo quando você tenta segurar o choro quando fala comigo por skype. Eu amo seu descontrole benéfico com as compras. Eu amo sair sozinha com você pro shopping. Eu amo o jeito que você canta Legião. Eu amo seu bacalhau. Eu amo o jeito que você muda o sotaque perto da família. Eu amo o jeito que você se veste. Eu amo parecer com você. Eu amo a cor do seu cabelo. Eu amo cheiro de amêndoa que a sua mão tem. Eu amo sua desconfiança. Eu amo a sua voz aguda. Eu amo a sua simplicidade. Eu amo dormir com você e sentir o cheiro do perfume da Marylin no seu travesseiro. Eu amo o fato de você não me chamar por apelido. Eu amo como você odeia as músicas que eu ouço. Eu amo o seu abraço. Eu amo saber que a sua pele está sempre quente. Eu amo a sua calma. Eu amo sua agitação. Eu amo fofocar com você. Eu amo suas broncas. Eu amo o jeito que você olha pro meu pai. Eu amo a sua coragem. Eu amo a segurança que você me passa. Eu amo quando você ri de si mesma. Eu amo quando você reclama da minha postura. Eu amo o quanto você se preocupa com meu braço. Eu amo o fato de você não desistir de mim. Eu amo conversar com você. Eu amo estar com você. Eu amo você.

É.

Hoje em dia com todo esse sentimentalismo gratuito, só não é poeta quem não quer.