sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Automedicação

Se eu falo 
Ele ouve
De perto, ou por mensagem
Ele fala
Eu ouço
Como se fosse poesia
Ou música
E sempre é arte
Embaçada quando chego perto
Mas se me afasto
Não fica melhor, nem mais clara
vai ver preciso dele perto
Porque de turvo já basta eu
Ele é quente quando sou quente
mas nunca frio
Sempre sóbrio
Ou quase sempre
Corre e acredita, amor
Acredita
Que eu passo a acreditar também
No próprio amor
Que é remédio
Até pra quem não tá doente
E eu que doente
Não preciso de drama
Nem dramin
Só talvez
De você. 

Validade

Devoro em versos o que é verdade
Ainda avesso ao que me diverge
Se de medo mergulha a saudade
Em mar descalço o amor emerge.

Amor em tempos de dólar

Crise pra quem?
Talvez eu não compre mais sapatos
E coma menos na rua
Pra economizar
O dinheiro que não tenho
Não sei se é essa onda
De que não se pode gastar nada
Mas pego as pessoas economizando
Até no amor
Não nos sapatos
Nas palavras
Não nas viagens
O aeroporto tá cheio
E o shopping também
Salvam declarações
E sentimentos
Como se esperassem por um momento
Mais propício
Em que o dólar esteja em R$1,98
Em que passagem pra Gramado custe menos
E a calda do sorvete volte a ser cortesia
Não sei se vale a pena
Guardar melodia e poema
Pra fazer serenata
Em quarto que não seja de aluguel
Espero que amar vire barato
Que essa bolsa de supostos valores
Feche com o amor em alta
E que isso aconteça
Antes do Natal
"A crise aqui é só existencial".