segunda-feira, 1 de setembro de 2014
17.
É tropeçar na escada e quebrar a maçaneta de todas as portas. Mas entrar. Entrar em toda e qualquer porta, janela, fresta, vasculhante ou saída de emergência que a vida abrir. É se animar com cada saída. É ser eclético pra música, pessoas e lugares. É não se importar se um programa tem ou não tudo a ver com você. É só ir. É experimentar todas as cervejas de um bar mesmo sem gostar do sabor. É visitar a mesma praça todo dia não pela praça, mas por quem a frequenta. É querer sumir e ao mesmo tempo não querer deixar ninguém. É ir pro mais longe possível da civilização. Se sentir infinito no vazio do silêncio. É encher o tanque de gasolina e a mala do carro de mochilas sem saber quando se vai voltar pra casa. É não ter casa. É transformar todo lugar em sua casa. É sentir saudades do presente e sofrer de ansiedade pelo passado. É conhecer rostos novos e se aproximar de uns consideravelmente familiares. É olhar pra frente e pra cima, com olhos semi cerrados pelo vento. É pisar na areia, descalço ou de botas. É queimar a boca de frio. E de calor, logo depois. É gastar a sola dos sapatos. É ter pelo menos três guarda chuvas. É tomar banho de chuva. Às três da manhã. Numa quarta-feira. É cheiro de tinta fresca e de mata virgem. É aprender a tocar violão. Ou banjo. Ukulele ou gaita. É ter a fase do desapego. É querer tudo de volta em seguida. É decorar trechos de livros. É assistir três filmes em um dia. É ter uma tatuagem. É se arrepender. É pensar duas vezes e não mudar de ideia. É experimentar o que os pais negaram por anos sem argumentação. É ver que os pais tinham razão. É ver que os pais não são heróis. É ver que se ama os pais. É trocar noite por dia. É não dormir. É dormir demais. É sentir o tempo sendo desperdiçado. É não perder nem um segundo. É gostar de passarinhos fora da gaiola. E de gatos no sofá. É se apaixonar por vários. É ver que seu verdadeiro amor sempre foi você mesmo. É descansar. É nunca parar. É voltar pra casa. É desejar ser tudo e nada. É desejar ser além de tudo e nada,que tudo (e nada) faça sentido.
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