quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Sobre você.
Prometi pra mim mesma que não escreveria mais sobre você. E que não falaria mais sobre você com ninguém. Não que eu falasse. Ninguém presta muita atenção no que eu falo, cê sabe. Mas já te expliquei que to tentando te esquecer. E li que a maneira mais eficaz de se esquecer uma pessoa é não falando mais nela. Decidi tentar. Esse texto por exemplo, não é sobre você. Esse texto é sobre aqueles sapatos desgastados que você costuma usar no inverno. É sobre o café que você toma todo dia às 6 da tarde. É sobre o jeito que o seu cabelo fica quando pega chuva. Ah, o seu cabelo. Podia escrever um livro todo só sobre o seu cabelo. De como ele fica bonito quando cê sai do banho, de como eu gosto quando esquece de penteá-lo antes de sair de casa, de como eu gosto de passar a mão nele, de leve, até você quase dormir. Cê fica uma graça dormindo, sabia? Ainda mais quando a sua respiração fica bem forte, quase mecânica. Continuo não falando sobre você. Falo sobre seus desenhos. Por que você insiste em dizer que não sabe desenhar? Eu amo todos os seus desenhos, desde os complicados que merecem moldura, até os rabiscos no teu braço. Nem queria comentar sobre seus braços. Eu gosto dos seus braços. Mas poderia gostar mais. Eu gostaria mais deles se eles não tivessem tantas cicatrizes. Gostaria mais deles se não soubesse que, antes de te encontrar, era teu hobby ferir tua pele. Se eu pudesse, passaria todas as tuas feridas pros meus braços, só pra você não ter que olhar mais pra elas, e se lembrar do por quê delas estarem ali. E faria qualquer coisa pra te ver usando mangas curtas de novo, apesar de você ficar um amor com mangas compridas. Mas esse texto não é sobre você. É sobre aquele jeans meio rasgado que você usa até o meio da canela. Queria escrever numa faixa bem grande que eu amo o jeito que você se veste e pendurar tal faixa na porta da sua casa. Acho que o mundo todo devia parar pra prestar atenção no que você veste toda vez que sai de casa de manhã. E também queria tomar posse de toda a sua coleção de óculos escuros. Como eu já disse antes, esse texto não é sobre você, meu bem. É sobre todos os álbuns do The Smiths que você tem. É sobre todas as 64 pintas espalhadas pelo seu corpo (eu contei, lembra?). É sobre como você pronuncia algumas palavras de um jeito engraçado. É sobre as covinhas que você tem mas costas. Sobre a cor dos teus olhos e de como sua boca está sempre muito vermelha, com o se estivesse com frio, ou tivesse acabado de comer açaí. É sobre como parece que te tiraram de um seriado de comédia dos anos 80. E de como você ama músicas de tal época. Mas não faz mais diferença, porque to tentando te esquecer. E não falo mais de ti, só pra você saber.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
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