sábado, 21 de março de 2015
Ser e não ser. Fora de questão.
Tolo foi aquele que me fez estudar filosofia. Eu romantizo até placa de trânsito, como não fazer o mesmo com a história do pensamento? Antes de me perder em suposições e analogias sem sentido, algo há de ficar claro: Eu sou eu, logo não sou uma série de coisas. Tenta me acompanhar, mesmo se você for de exatas. Se eu sou quem eu sou, aqui e agora, dentro do universo, passo a não ser muito mais do que eu sou. Não sou uma pedra, não sou uma dermatologista, não sou o John Lennon e mais um infinito de possibilidades. Eu sou eu, nada mais. Schopenhauer disse que o desejo sexual dos humanos é a pura vontade de diminuir a noção do não ser. E para qualquer poeta de boteco, isso é bonito pra cacete. Pensa bem, por mais pessimista que a noção de vida e morte venha a ser, em algum momento da sua existência insignificante, você inconscientemente decide ser algo maior que você mesmo. E como tenta saciar tal desejo? Procurando alguém. E falhando miseravelmente, porque ainda que fizesse parte de um poliamor infinito, a incapacidade de ser pleno ainda estaria lá. E você, caro ser limitado habitante dessa grande solidificação e abstração constante de plenitude, continuaria frustrado. Mas aí está meu ponto. Se você, sabendo que sua vidinha medíocre é um frame minúsculo de todo o filme da existência e que a distância entre dois vazios é o seu abrir e fechar de olhos, consegue aumentar o seu ato de ser se complementando com alguém com quem você decidiu partilhar uma vida brevíssima e vã, convencendo todo o seu círculo social e até você mesmo da veracidade do que você representa, você fez algo grande. Todos nós somos igualmente pequenos. E se alguém te escolheu para formar algo maior que você mesmo simplesmente para sair da inércia da impossibilidade de ser tudo o que existe, você é grande, e dana-se a filosofia. Dana-se a psicanálise e dana-se a Teoria das Cordas. Só não dana-se Schopenhauer. Nietzsche também não, preciso de vocês pro próximo surto de insuficiência existencial.
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Filosofe de volta